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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

ACABANDO COM O CARNAVAL


"Queria ser presidente por um dia. Faria uma lei que anulasse o carnaval em prol da nação. Argumentos lógicos não me faltam: Diminuição de acidentes; menor índice de HIV positivo;
melhorar imagem do país no exterior; cortar semana ociosa
para que aumentemos nossa renda; valorizar a imagem da
mulher brasileira; investir os 2 bilhões por ano do carnaval em educação; diminuir consumo de drogas nesse período....

Acho que não teria o apoio popular pra isso. Já tivemos
presidentes que afundaram a educação, a habitação, a reforma agrária, a inflação, a renda familiar, os empregos, e até mesmo presidente que roubou nossa poupança. Ninguém reclamou.
Porém se eu acabasse com o carnaval certamente me matariam.

Mesmo sabendo o risco que corro, aceitaria essa missão
suicida, afinal, é melhor morrer no país do carnaval do que
 viver no carnaval desse pais."
     Danilo Gentili

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

PEÃO MORRE PISOTEADO DURANTE RODEIO EM SANTA CATARINA

Um peão morreu pisoteado na cabeça por um touro durante um rodeio realizado na cidade catarinense de Belmonte, a 629 km de Florianópolis. O acidente aconteceu na sexta-feira, dia da abertura da Expo Belmonte, que termina neste domingo.

Segundo a empresa paranaense Geração Country, responsável pela organização do evento, a vítima, Gilberto Morato, possuía seguro e a família dele vai receber o dinheiro. O caso foi registrado na delegacia de polícia local.

Em sua página na internet, a organizadora publicou uma mensagem em homenagem ao peão morto: "A família Geração Country está em luto. Perdemos um amigo e um grande competidor de rodeio".

VIDA LONGA AO TOURO !

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO MIGUEL ARCANJO E O CIDADÃO EMÉRITO ESQUECIDO

         O pensador Montesquieu, considerado o pai da história e patrono da história da filosofia, foi o precursor da antropologia na classificação das formas políticas da sociedade humana: monarquia, aristocracia e comuns. Um tal de Jacques Le Goff apregoou que a história é cíclica, repetitiva e sobretudo mentirosa. E não é? A nova geração de pesquisadores brasileiros está trabalhando para recolocar a História do Brasil no caminho da verdade.
        
         Se dentro de um conceito universal, a história tem o poder mágico de passar da realidade para a lenda, o que pode acontecer numa cidade do tamanho de São Miguel Arcanjo, onde a sua história foi mal escrita por garranchos disformes numa casca de palmito, ou na parede branca da falta de memória com um pedaço de carvão, até se apagar de vez.
        
         Estas considerações principiaram como ruminações ao antever as comemorações do 122° aniversário da Câmara Municipal de São Miguel Arcanjo, da qual os poucos compêndios, já sem muita credibilidade por personificar heroicamente certos personagens, registram o seguinte fato: “A Câmara Municipal da Vila de São Miguel Arcanjo criou-se no dia 30 de outubro... A primeira Câmara Municipal da Vila de São Miguel Arcanjo era constituída de sete vereadores, sendo: Manoel Fogaça de Almeida, Alfredo Olegário dos Santos Terra, João Augusto de Souza Nogueira, José Alves Pereira, Ernesto Arantes de Noronha, Jeremias Moreira Branco e José Leme Brizolla. No dia da criação da Câmara, deixou de comparecer o cidadão José Leme Brizolla. Ainda no dia 30 de outubro  de 1889, foi feita a eleição do primeiro Presidente da nova Câmara, verificando a seguinte votação: Manoel Fogaça de Almeida (quatro votos, )Alfredo Olegário dos Santos Terra(dois votos). Sendo dessa forma constituída a primeira autoridade e o primeiro Presidente da Câmara do Município” (sic).
        
         E quem foi o secretário que redigiu essa primeira sessão de posse para a formação da Câmara, antes da conhecida primeira ata guardada a sete chaves, a qual passa a registrar os primeiros trabalhos dos vereadores já constituídos? Quem estava lá, no histórico dia 30 de outubro, há 122 anos?
        
         Era o primeiro secretário, cidadão Manoel Rufino de Medeiros, que sem nenhuma explicação dos historiadores da época, foi desrespeitosamente omitido. Hoje é apenas um personagem obscuro que a história esqueceu. Aliás, a história do município é cheia de contradições que precisam ser revistas, a começar pela tradição oral da doação das terras para a construção da capela, atribuída à dona Maximina Ubaldina Nogueira Terra.
        
         São Miguel Arcanjo passou a existir historicamente no papel a partir dos anos 50. Primeiro através do engenheiro Ricardo Gaumblet Daunt que palmilhou as sesmarias do tenente Urias e arrecadou documentos confiáveis. Após ele, baseado provavelmente em comentários populares, o agente do IBGE, Daniel Carneiro registrou em documentos desse instituto o resumo de uma tradição oral na qual aparece dona Maximina como doadora das terras de São Miguel Arcanjo.
        
         O historiador Manoel Valente Barbas em sua obra “Da Fazenda Velha à São Miguel Arcanjo” no capítulo XIX, página 121 escreve sobre a doação das terras ao patrimônio da Paróquia de São Miguel Arcanjo ao cônego Júlio Marcondes, secretário do bispado de São Paulo o seguinte: “Em abril de 1884 vai por mim assinada, Tereza Augusta Nogueira, desta freguesia da Fazenda Velha, perante a testemunha de Manoel Rufino de Medeiros(...) declaro e faço doação de uma parte de 750 braças de alto com quatrocentos e cinquenta de fundos(...) sem qualquer embaraço para que se empregue  à capela com a condição de nunca ser vendida”.
        
         Conforme Judas Isgorogota, biógrafo do poeta Vital Fogaça de Almeida, filho do primeiro Presidente da Câmara, em 17 de junho de 1957 foi comemorado o centenário de Manoel Fogaça de Almeida. Houve sessão magna com a presença do deputado Ciro Albuquerque. Falou-se de história nessa sessão solene, principalmente sobre a formação da primeira Casa de Leis. Mais uma vez o primeiro secretário, Manoel Rufino de Medeiros não foi mencionado.
        
         As autoridades, os estudiosos e os pesquisadores da história do município não podem passar um rolo compressor em cima dos fatos. É evidente que naquela época, Manoel Rufino de Medeiros era um dos poucos cidadãos letrados com condições para redigir  decretos, escrituras, requerimentos e atas, numa vila que mal se desvencilhava de sua condição de bairro rural de Itapetininga, por isso mesmo, composta de pessoas analfabetas em sua maioria, assim como políticos que sabiam, quando muito, desenhar o próprio nome para votar. Após trinta e um anos (1889/1920), quando por motivo de saúde Manoel Rufino de Medeiros deixou de registrar e escrever os atos emanados do legislativo, seu filho Mário Augusto de Medeiros, assumiu esse mister. Este também a história esqueceu.
        
         Ainda há tempo para que nossos ilustres cidadãos, e outros que agora fazem a história do município, cumprirem aquela máxima que diz  “dar a César o que é de Cesar”. Os pares da Câmara poderiam reconhecer esse lapso lamentável do passado e como escusas, denominar uma rua ou algo do gênero com o nome de Manoel Rufino de Medeiros e outra com o de Mário Augusto de Medeiros.
      
         Longe de qualquer preconceito ou acepção de pessoas, se o Tapichi por ser uma figura popular dos bares e botequins, por sua longevidade etílica mereceu reconhecimento “pós mortem”, Manoel Rufino de Medeiros pelo seu trabalho, merecia mesmo ter seu retrato perenizado no quadro de honra das figuras ilustres da Câmara. Ali mesmo, onde sorrateiramente, o major Fonseca, há muitos anos homenageado com o nome numa das principais escolas de Itapetininga, ocupa um espaço que não é dele. A falta de seriedade nas pesquisas históricas fez dele um intruso, enquanto os legítimos filhos da terra são esquecidos.

domingo, 23 de outubro de 2011

NOSSA CIDADE É CRUEL, DESUMANA, PRECONCEITUOSA, RICA E ESTÚPIDA

Parte 1

Parte 2

"Nossos guardiães do atraso dependem da nossa ignorância"

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

BANDO DE CORDEIRINHOS CABISBAIXOS


         O principal jornal espanhol El Pais, numa análise da transição Lula-Dilma, conclui que Dilma já governa sem Lula e que o que falta agora é combater a corrupção. Herdada, pois. Porque a corrupção não nasceu no governo Dilma. Eu já escrevi que quase não temos tempo de assimilar um caso e já outro aparece a tirar as atenções do anterior e aliviar para quem vai passando na fila. A vez, agora, é do Ministro dos Esportes. Certamente isso não vai escandalizar os brasileiros, que já se viciaram em denúncias e vão se entorpecendo, ainda que os serviços públicos fiquem cada vez piores. Porque, afinal, o dinheiro da corrupção, que é o dinheiro dos impostos de todos, é o que paga educação, saúde, segurança, justiça, transportes.


         Está marcada para o próximo feriado, o 15 de Novembro, outra manifestação nacional contra a corrupção e o desmando generalizado. Fico com medo de encarar a realidade. A última, no 12 de Outubro, foi um fiasco. Não para os que foram às marchas. Mas para os que não foram. Como eu já lembrei aqui, em apenas uma missa do Padre Marcelo, em recinto fechado, compareceram mais brasileiros que nas 25 cidades de 18 estados que realizaram manifestações de cidadania pelas ruas.

         Será que estamos nos tornando um bando de cordeirinhos cabisbaixos que fingimos ser felizes? Agora mesmo metade do país engoliu o horário de verão sem ao menos contestar que o nome já é uma mentira, porque mal começou a primavera. Uma muçulmana se recusa a tirar o véu para fazer carteira de motorista e o Detran de São Bernardo do Campo ainda investiga a "discriminação". Meu amigo careca, que não tira a boina, vai tentar a mesma sorte e acusar de discriminação contra os portadores de alopécia - ao chamá-los de carecas pode se levantar a ridícula comunidade do politicamente correto para passar por cima da Constituição e censurar minha livre manifestação de pensamento.

         Por isso, os políticos dizem abertamente que a opinião pública pode se lixar, uma vez que ela se lixa mesmo. Está interessada, aqui na Terra, em futebol e novela. A cidadania murchou. Nos falam de aquecimento global e todos acreditamos sem contestar que a Terra, ao contrário, está esfriando. Lembram-se do menino João Hélio, arrastado até a morte pelas ruas do Rio? Convocaram uma passeata. Foram 500 pessoas. Era Carnaval. Adiar o carnaval para marcar o protesto? Nem pensar. 50 mil estavam na Marquês de Sapucaí. Abram alas que o Rei Momo vai passar.
Alexandre Garcia

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

RETIRADA DE PLACAS DA SP-139 CONTRIBUI PARA A PERDA DE IDENTIDADE DOS RIOS DO PARQUE CARLOS BOTELHO

Por Renato Lobo

Há alguns dias (inicio de agosto 2011), constatamos uma anomalia ao longo da SP-139, no trecho São Miguel Arcanjo - Sete Barras. Da noite para o dia, foram retiradas todas as placas identificadoras dos córregos e rios que cortam essa rodovia. A partir de um projeto de lei  do deputado/Secretario de Saneamento e Recursos Hídricos  Edson Giriboni (http://www.al.sp.gov.br/geral/comissoes/ata.jsp?idAta=5560&comissao=99983&legislatura=16) que confere denominação a todas as pontes sobre rios ao longo da SP-139, procedeu-se a substituição das antigas placas identificadoras dos citados rios por placas identificadoras de pontes.

O prejuízo da informação geográfica é evidente. Os nomes dos córregos e rios são elementos geográficos que constam em todos os mapas do IBGE e são referências fundamentais em qualquer trabalho científico, ainda mais se for considerado que a maioria deles encontra-se dentro do Parque Estadual Carlos Botelho. Portanto, justifica-se manter a identificação dos rios através de suas placas.

A anormalidade sugere alguns questionamentos e reflexões:
1) Porque as placas não foram confeccionadas incluindo o nome dos rios?
2) Qual o preço das placas identificadoras das pontes?
3) Qual o custo da correção da anormalidade?
4) Porque os responsáveis pelo Parque Carlos Botelho/ DER /Secretaria de Saneamento – Recursos Hídricos não se posicionaram a tempo para correção da anormalidade, antes do evento de inauguração ocorrido no início de setembro/2011?

Que os órgãos envolvidos cuidem do objeto principal, a preservação desses rios que cortam o Parque Carlos Botelho. Valores incomensuráveis como transparência, pureza, integridade, harmonia são transmitidos por esses rios.

Um rio não perde sua identidade por si,  é necessário a atuação de agentes externos.  A morte desses rios pode estar começando pela retirada das suas respectivas identidades. Subtração de identidade é um ato ilegal e merece correção.


terça-feira, 20 de setembro de 2011

ESTADO DA PALESTINA

         Em menos de 24 horas, a Assembleia Geral da ONU vai se reunir e o mundo terá a oportunidade de abraçar uma nova proposta que poderá mudar a maré de décadas de fracassadas negociações entre Israel e Palestina: o reconhecimento do estado da Palestina pela ONU.

         Mais de 120 nações do Oriente Médio, África, Ásia e América Latina já abraçaram essa iniciativa, mas a ala direita do governo de Israel e os EUA estão tentando bloquear esse processo. A Europa ainda está indecisa em votar com o resto do mundo nessa oportunidade única de acabar com 40 anos de ocupação militar. Iniciativas americanas fracassaram por décadas, enquanto Israel confinou os Palestinos a pequenas áreas, confiscou suas terras e bloqueou sua independência.

         Apesar das raízes dos conflitos entre Israel e Palestina serem complexas, a maioria das pessoas de todos os lados concordam que o melhor caminho para paz é a criação de dois estados. Entretanto, repetidos processos de paz têm sido enfraquecidos por violência em ambos os lados, a construção extensiva de assentamentos feita por Israel na Cisjordânia, além do bloqueio humanitário na Faixa de Gaza. A ocupação de Israel diminuiu e fragmentou o território palestino e tornou a vida dos palestinos uma prova diária. A ONU, o Banco Mundial e o FMI anunciaram recentemente que os palestinos estão prontos para governar um estado independente, mas que o grande empecilho para o sucesso é a ocupação de Israel. Até mesmo o presidente dos EUA pediu para que os assentamentos tivessem um fim e retornassem às fronteiras de 1967 com a troca acordada de terras, mas o primeiro-ministro israelense Netanyahu se recusou furiosamente a cooperar.

         Enquanto os governos de Israel e EUA estão chamando a iniciativa de “unilateral” e perigosa, na verdade, as nações mundiais definitivamente apoiam esse movimento diplomático não-violento. Um reconhecimento global da Palestina poderia acabar com o discurso de extremistas que dizem que a violência é a única solução, além de promover um movimento de crescimento sem violência palestino-israelense em sintonia com a dinâmica democrática de toda a região. Mais importante, o reconhecimento resgataria um caminho para uma solução negociada, e permitiria o acesso dos palestinos à uma variedade de instituições internacionais que podem ajudar a avançar a liberdade palestina, e enviar um sinal claro para o governo pró-assentamento de Israel que o mundo deixará de aceitar sua impunidade e intransigência.

         Por muito tempo, Israel enfraqueceu a esperança por um estado palestino. Por muito tempo, os EUA os apaziguou, e por muito tempo a Europa se escondeu atrás dos EUA. Agora, a Europa está em cima do muro em relação à legitimidade do estado palestino.

         A legitimidade do estado palestino não vai trazer uma solução para esse conflito rebelde do dia pra noite, mas o reconhecimento vai mudar a dinâmica e começará a destravar as portas para a liberdade e paz. Por toda a Palestina, as pessoas estão se preparando com esperança e expectativa para recuperar uma liberdade que eles jamais conheceram.